Rubricas
- Crónicas do Alto da Vila (por Inês Valadas)
- Crónicas do Alto da Vila (por Luís Filipe Marcão)
- Crónicas do Alto da Vila (por Manuel Manços)
- Crónicas do Alto da Vila (por Rui Dias José)
- Curiosidades e Segredos de Monsaraz
- Monsaraz ilustrado (por Carlos Dias)
- Noite de Fados em Monsaraz (por Manuel Manços)
terça-feira, 25 de agosto de 2015
sábado, 1 de agosto de 2015
Crónicas do Alto da Vila (por Inês Valadas)_01.08.2015
Exaltação Alentejana
Elevam-se hoje os campos àqueles que com os olhos postos
neles os amam já pela admiração. Elevam-se, os pequenos campos, e podiam
dizer-se outrora morada do Deus que tudo de belo cria, tão altos, beijando
suavemente o azulado suave de um céu aberto que não sabe mais que dar
boas-vindas.
Abertos encontram-se
também os braços beijados pelo mesmo dourado que pinta planícies, como se de
ouro, pelo dourado que queima docemente qualquer um que ouse calcorrear
calçadas e veredas estreitas, velhas mas sábias, com histórias para contar que
nem eu mesma conheço.
Tudo o que aqui se faz, faz-se com amor e orgulho embrulhado
em peitos que alentavam as mãos feridas que ergueram colinas e casas – casas e
lares, que não são apenas de quem os construiu mas de todos aqueles que, hoje,
melhor os decoram. Com palavras gentis e
sorrisos, olhares perdidos para lá do espelho de água, perscrutando a beleza da
serenidade da natureza alentejana que perante si se ergue, senhora mãe e
senhora filha – em cada momento fazendo-se fénix.
Eleve-se hoje o refúgio da parafernália quotidiana, da
contemporaneidade amestrada e manipulada e nele se fechem os olhos para que o
vento corra, criança, de mansinho pela pele. Nele se fechem os olhos,
principalmente, para escutar o silêncio das vozes, roucas e vibrantes de quem
canta da Humanidade o pequeno oásis que é Monsaraz. – Quando a ele se chega
nunca mais dele se parte.
Mas que seria a glorificação de pai, sem seus filhos? Que
seria falar de Monsaraz sem falar de todas as pequenas aldeias que grande
discurso nos deixam na memória – em histórias pinceladas, cristalizadas na
simplicidade do barro que é o pó que os nosso pés pisam e que nasce da magia
ancestral de quem sabe amar a sua tradição; em rochas que encerram em si o
poder da crença ainda menina resultando dela um sorriso aberto quando a
pedrinha se equilibra na Rocha dos Namorados; na cidade de onde provém o elixir
que próprio Baco teria cobiçado. Que seria, ainda, não falar deste cantinho que
hoje se estende por fotografias e melodias e esplanadas e varandas que nos
deixam sempre a mesma sensação: é tão grande o mundo, mas tão maior o Alentejo.
Mas tão maior a distância entre o Alqueva e o céu. Mas tão melhor a proximidade
da vida á terra, onde a vida e a terra se misturam numa só. Como sempre o
foram.
Cante-se, em uníssono, as belezas destas muralhas ao sol, o
seu reflexo naqueles que as carregam às costas como suas, por suas. Cante-se a
vida. Serena, apaziguadora. Cante-se o canto de anos e anos de madrugadas
frescas e tardes solarengas, molengonas, como por cá dizemos, porque por cá
dizemos. Cante-se isso tudo com o canto das aves, e o sussurro das águas, e as
gargalhadas com o forte sotaque característicos e cante-se a nossa terra.
Cante-se a nossa origem. Cante-se o nosso orgulho, porque ele pode e ele deve e
ele vai.
Sem importar gerações, géneros, crenças. Cante-se o simples
esplendor da natureza em comunhão com a humanidade onde a natureza e a
humanidade se seguram e se apoiam mutuamente.
Elevo hoje o cantinho á beira Alqueva plantado, cantinho
lato no meu coração. Cantinho lato na minha canção. Cantinho, que será, sempre
lato na minha condição.
Quando a nós ele
chega, nunca mais de nós ele parte.
Crónicas do Alto da Vila, por Inês Valadas
01.08.2015
(Fotografia de António Caeiro)
(Fotografia de António Caeiro)
terça-feira, 21 de julho de 2015
quarta-feira, 1 de julho de 2015
Crónicas do Alto da Vila (por Rui Dias José)_01.07.2015
Se
os rios correm para o mar…
O
Guadiana atrasa o passo em Alqueva
como se
esperasse pelo Degebe
Nas
calmarias do Verão, lento e sereno, o fio de água em que se convertia o
Guadiana. Quase raso, ali defronte do Castelo de Juromenha… com a margem de Olivença
ao alcance de uma passagem a vau.
Mesmo
com pouca água, o rio valia a contemplação. Mais que não fosse, para esquecer
as águas fétidas que corriam a montante, por baixo das pontes de Badajoz.
Já
em Portugal, vinham em seu socorro outras - bem mais cristalinas - com os que
os rios do lado de cá lhe aumentavam o caudal e devolviam ares de curso de água
vivo. Que, em direcção à Foz, ia refrescando margens e recuperando o movimento
de peixes.
E,
se é certo que no Pulo do Lobo quase desaparecia no Verão, chegado a Mértola
convidava para todos os mergulhos. Mais a baixo, voltava a ser navegável… com
aquele lago que une Alcoutim a Sanlúcar e a descida magnífica até Vila Real de
Santo António.
Podem
dizer à vontade que o peixe de rio tem muitas espinhas, mas sempre que pude não
o deixei escapar. E mal o suspeitava no prato, era de devorar… Cozido,
grelhado, de caldeirada: Fosse como fosse! A Juromenha muitas vezes fui no
encalço das carpas. E guardo memórias de convívio e sabor de caldeiradas lá para
as bandas do Pomarão.
Dos
braços de água que alimentam o grande rio do sul, foi sempre o Degebe que mais
me atraiu para todas as contemplações e passeios. Até à Amieira, em terras de
Portel. No aconchego das margens, nas sombras das suas árvores, no voo dos seus
pássaros.
Depois,
o Guadiana fez-se lago. Agigantou-se, cobriu montes, transbordou para onde (há
uns anos!) ninguém suspeitaria. Perdeu a sua alma de rio, para ganhar a
imensidão de horizontes líquidos de grande Mar Interior. E há até quem, nunca o
tendo conhecido humilde, diligente e esforçado, só se reveja na imensidão de
água que Alqueva veio represar. Como se ela tivesse nascido ali e não estivesse
lá porque escorre margens abaixo em direcção à foz.
Da
construção da barragem derivou uma impressionante mutação de paisagem. Que
arrastou mudanças de cores, de sons e de cheiros. O Alentejo agora ribeirinho
terá pouco a ver com o que era. Até em termos climáticos! Porque aquela imensa
massa de água - com incidências de evaporação, de conservação e transferências
de calor - não deixa por mãos alheias a sua força e o seu poder.
Pelo
meio, ficou o sacrifício da Aldeia da Luz, com o que dela resta repousando no
fundo das águas. E uma aldeia nova sem vida e nem alma. Um dia destes, até sem
gente para usufruir das tais infraestruturas criadas para acolher os habitantes
da velha aldeia. Estiolando aos poucos… E, apesar do que ali foi erguido para
celebrar as memórias submersas, quase sem ninguém que a queira conhecer e
visitar. Esquecida até do corrupio de gente que a demandou nos anos que
antecederam o seu afogamento. Quase da mesma forma que, quem tinha obrigações
nesta área, se esqueceu das promessas todas - solenemente comunicadas aos seus
habitantes - em relação ao novo lugar para onde iriam ser transferidas as suas
vidas.
Os
castelos, que eram de defesa e vigilância às arremetidas dos de Castela, são
agora varandas e torres de observação privilegiadas da paisagem que a água
trouxe. Monsaraz sabe-o-bem, e as esplanadas sublinham. Mourão está a
descobrir.
Resta
agora saber das capacidades e da imaginação para aproveitar aquela água toda.
Que era para ser para a agricultura, acordou para a energia eléctrica e agora toma
ares de aposta turística.
É
nestes contextos e cenários que vêm ao de cima os sinais de falta de diálogo
entre gestores e usufrutuários das águas. Aliás, não discutindo pressupostos de
defesa da saúde de pública, tornam-se notórias as diferenças de atitude entre o
lado português e o espanhol do Grande Lago. Na banda de cá (e se calhar bem!) determinou-se
que o usufruto das águas para refrescantes banhos teria de ficar adiado por uma
janela temporal de segurança. Do lado espanhol investem em praias fluviais e
não olham a essas coisas. Estranho, no mínimo! Ou eles já vinham habituados às
poluídas águas do Guadiana à saída de Badajoz?
De
qualquer modo, e como não haverá capacidade para policiar tantos quilómetros de
margem, não se estranhe que (à surrelfa) também do lado de cá vão existindo
mergulhos. Se numa qualquer actividade promocional de navegações no Alqueva até
houve uma estrela das telenovelas que não se escusou a um banho para que os
fotógrafos fizessem os bonecos…
E
que deve ser difícil estar ali na beirinha de água, com esta caloraça do Verão,
a resistir aos apelos e vontades… lá isso deve! Apesar de todas as determinações
em contrário. Também… quando se fazem desportos aquáticos como é? Já houve campeonatos de
natação, de saltos para a água e outras coisas que tais…
Uma
empresa da área do aproveitamento turístico das águas de Alqueve escreve mesmo
no seu site: “As férias rimam bem com banho e mergulhos! Encontrará ao longo do
percurso lugares propícios ao contacto com a água.”
Afinal
como é? Mergulha-se? Não se mergulha? Se alguém souber alguma coisa de
concrecto, informe. Que é para isso que os comentários da página também servem…
:)
CRÓNICAS DO ALTO DA VILA
Rui Dias José
01.07.2015
Fotos: Café Portugal
Fotos: Café Portugal
terça-feira, 30 de junho de 2015
Subscrever:
Mensagens (Atom)










