domingo, 3 de setembro de 2017

CURIOSIDADES E SEGREDOS DE MONSARAZ: Ermida de S. João Baptista

Uma parte de Monsaraz pouco visitada mas cheia de História.
No Baluarte de S João, parte da Fortificação Abaluartada de século XVII, encontramos uma Escavação Arqueológica, uma Ermida - Qubba e uma Necrópole.
A Escavação Arqueológica revelou as divisões de um edificio provavelmente religioso da Idade Média, destacamos a espectacular e conservada Calçada Portuguesa.
A Ermida de S João Baptista foi provavelmente uma Qubba, uma Capela Islâmica. A sua Orientação, Forma, Dimensões e outras variáveis assim o indicam. Interessante que uma das Portas Medievais de Monsaraz se chama Porta da Alcoba, a Porta da Qubba. Os Frescos dentro da Ermida são muito interessantes.

A Necrópole de Sepulturas Escavadas na Rocha seria enorme. Estas Sepulturas eram antropomórficas, apresentam a forma do corpo humano. Em algumas delas ainda podemos ver o encaixe das tampas. Uma destas tampas foi reutilizada na Praça de Touros. As sepulturas são Cristãs, posteriores à Qubba, mas anteriores à Calçada Portuguesa. Uma das Sepulturas com diferente orientação pode mesmo ser Islâmica.




                                           Ermida - Qubba de S João Baptista




Edifício posto a descoberto pela Escavação Arqueológica


Sepulturas Escavadas na Rocha





Frescos da Ermida de S. João Baptista








texto e imagens: Luís Lobato Faria

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Crónicas do Alto da Vila (por Inês Valadas)_01.09.2017

Monsaraz profetisa

Estou a ler um livro, neste momento, que fala acerca da necessidade de preservar a nossa natureza selvagem. – Fala deste aspecto como uma necessidade básica da nossa raiz, do nosso âmago, da nossa espontaneidade, logo, do que é mais autêntico em nós.
Acontece que com o tempo essa parcela, que é muito mais a capacidade de conseguir contemplar as bênçãos que nos rodeiam do que um acto de violência (porque muitos compreendem ainda a palavra selvagem pejorativamente), vai sendo substituída pelo relógio a bater a hora antes da hora, pelo burburinho de fundo de uma cidade dita civilizada, pela urgência que é chegar ao dia e fazer o dia chegar com tudo o que o dia comporta e com tudo a que o dia nos obriga – sem que nos obrigue, um único momento, a parar.
Estou a ler um livro que fala da importância do contacto com a natureza. Do contacto, não só no seu sentido metafórico, mas no seu sentido mais real: na sensação de tocar a rocha áspera e quente em meio do Verão alentejano, em sentir a água brincar no peito do pé, refrescante, em fechar os olhos e deixar o cabelo revoltear e dançar com o vento. – Ser parte e não observante apenas. Ser, também, natureza. Selvagem.
Há uma vilazinha, pequena, mas dita rainha a coroar um monte no meio de terriolas e águas extensas que me recorda estas parcelas de que falava. Essa vilazinha, dizem, resplandece ao sol do Verão e desaparece como que por magia nos dias nublados do Inverno – onde a magia se esconde ainda mais. Onde a natureza toca o sublime e místico, rainha, torna-se ainda mais deusa maga, profetisa da sabedoria das origens tornando o mais natural dos fenómenos quase que numa porta para um outro mundo. Esse mundo, apenas aqueles que ainda não visitaram essa vilazinha, não compreendem. Todos os outros que a calcam ou já calcaram o carregam ao peito com orgulho e saudades.
Falar de Monsaraz no momento que Monsaraz vive, não é fácil, caro leitor. Partilhar o meu local de eleição para voltar ao mais autêntico de mim, ao lado simples e “selvagem”, com pessoas que ainda não lhe conhecem o poder de cura passou de um medo de incompreensão para a esperança de que acabasse por ser tão embalada e respeitada como por mim o é. – Porque Monsaraz tem realmente esse poder de cura: esse poder de nos obrigar a parar, a esquecer a urgência e a viver a plena calma necessária para restaurar a alma, para voltar a aceder á autenticidade e á espontaneidade do que é ser-se pessoa simples no meio dos mistérios naturais.

A verdade é que é impossível ver Monsaraz e não a levar no coração. É impossível não ser tocado pelos céus negros onde fulgem ligeiros pontos prateados formando uma abóbada celestial tão imensa que os nossos corpos começam a sentir-se pequenos, os nossos problemas começam a assemelhar-se a formigas viajantes, os nossos olhos já comungam do brilho da abóbada e naquele momento ficamos felizes por estar ali. Felizes apenas por estar ali. Felizes por testemunhar a grandeza da simplicidade – Porque é isso também que Monsaraz nos dá. A noção de que o simples tem uma beleza própria. A raiz. Os campos. As mãos sujas dos homens que trabalham os campos e voltam á raiz. E abraçam a raiz. – o início.

Crónicas do Alto da Vila, por Inês Valadas 
01.09.2017
(Fotografia de António Caeiro)



terça-feira, 29 de agosto de 2017

A LENDA DOS ALOENDROS

Reza a lenda que um jovem cavaleiro português e alentejano, filho do Conde do Monte Esporão, chegou decidido a conquistar Monsaraz. O rei Arabe tinha uma filha chamada Alandra. O jovem cavaleiro e a jovem princesa moura enamoraram-se.
Estávamos na época da conquista do nosso território aos Mouros. Os Portugueses queriam entrar nas muralhas de Monsaraz e Alhandra ajudou o jovem Conde do Monte Esporão a entrar, sob a condição de ele não matar nem mulheres, nem crianças e em troca poderia tê-la a seu lado.
O cavaleiro cumpriu o prometido. Quando chegou a casa em vez da princesa prometida, estava ali enviado pela princesa um lindo ramo de aloendros vermelhos. o jovem Conde do Monte Esporão, perdidamente apaixonado, chorou e de seus olhos brotaram lágrimas de sangue pela amargura de ter perdido o seu amor.
Dizem que o rei mouro preferiu matar a filha. Alandra, que ficou para sempre encantada no alandroeiro, ou alandro, ainda hoje vive na rua transversal em frente à Igreja Matriz.





Pesquisa de Ana Maria Saraiva
Foto: António Caeiro


sexta-feira, 25 de agosto de 2017

CURIOSIDADES E SEGREDOS DE MONSARAZ: medidas

Na Porta da Vila, no dorso da ombreira, vislumbram-se a vara e o côvado, medidas usadas na época medieval. 

Vara 
Utilizada no Império Romano, chamada Pertica, valia 10 pés de comprimento, equivalente a, aproximadamente, 2,96 metros. Em Portugal e no Brasil, até à introdução do sistema métrico, a Vara era a unidade básica de medidas lineares, valendo 5 palmos de craveira, ou seja 1,1 metros. 

Côvado 
Medida de comprimento que foi usada por diversas civilizações antigas. Era baseado no comprimento do antebraço, da ponta do dedo médio até o cotovelo. Ninguém sabe quando esta medida entrou em uso. O côvado era usado regularmente por vários povos antigos, entre eles os babilônios, egípcios e hebreus. O côvado real dos antigos egípcios media 53cm. O dos romanos media 44,5cm.




texto e imagem: António Caeiro