HISTÓRIAS


Igreja de São Bartolomeu 





















"Numa das suas vistas panorâmicas sobre Monsaraz, elaborada no início do século XV, Duarte d’Armas desenha a antiga Igreja de São Bartolomeu, localizada extramuros, no arrabalde da vila. Este desenho constitui a única imagem que possuímos sobre esta antiga igreja que também foi freguesia do termo de Monsaraz, cujas origens remontam ao século XIII. Segundo Túlio Espanca, este edifício já existia em 1279, altura em que D. Dinis lhe nomeou como padroeiro e cura Afonso Peres. Extinta pouco antes de 1534 e anexada a Santiago Maior, a paróquia e a respetiva igreja perderam as suas características sacramentais e sofreram a profanação normal nestas circunstâncias."


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Ermida de S. Cristovão




















"Localizada na encosta sul de Monsaraz, junto à ladeira dos Bandalhos, encontra-se a Ermida de São Cristóvão, hoje em ruína. Tem vista privilegiada para a fortaleza medieval de Monsaraz. Está envolvida por vegetação densa e não é de fácil acesso. Desconhece-se a data e as origens da sua fundação. A profanação do edifício verificou-se nos fins do séc. XIX e, no ano de 1758 ainda se celebravam as festas tradicionais, mantidas porventura por romeiros vizinhos. Obra modesta de arquitetura religiosa popular, feita de grossa alvenaria xistosa, está orientada a poente numa clareira de sobreiros e oliveiras, com terreno liberto e revelando não ter possuído alpendre ou sacristia. O portal, de verga e jambas de ardósia, encontra-se desmoronado, bem como a abóbada que era de alvenaria e de volta perfeita. O interior, disposto em planta retangular e de alçados revelando vestígios de composições de escaiolas campesinas, apenas mostra, na ossatura da cabeceira, o amplo nicho de duplas molduras e arco redondo, despido da imagem padroeira."


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A Forca de Monsaraz


















"Erguida no cimo de um monte entre Monsaraz e São Gens, encontra-se a forca de Monsaraz onde os condenados à morte viam, pela última vez, as muralhas da vila. Tem forma quadrangular e foi edificada com xisto que abundava pelas redondezas. A entrada no recinto fazia-se por uma porta própria, aberta para poente. Contudo, no início do século XVI, Duarte d’Armas desenha a forca de Monsaraz de forma triangular e composta por três postes erguidos a partir do chão. Teria sido engano? Ou a atual forca de Monsaraz foi construída em data posterior ao século XVI? José Pires Gonçalves defende que a estrutura já existia na Idade Média e aponta para um erro de Duarte d’Armas, há semelhança de outros que fez nas duas vistas que desenhou de Monsaraz."


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Igreja de Santiago (Monsaraz)
















"De fundação remota e data desconhecida, a Igreja de Santiago já existia, de acordo com as fontes conhecidas, na segunda metade do século XIII. Segundo José Pires Gonçalves, este templo religioso “devia ter sido a igreja de Martim Anes e do bispo D. Durão Pais”. Primitiva benesse da Ordem de Santiago da Espada, na altura de D. Jaime, IV duque de Bragança e donatário da vila de Monsaraz, a igreja foi integrada mais tarde na Ordem de Cristo e, em 1849, foi extinta por decreto metropolitano, embora se conservasse ao culto sagrado pelo menos até 1853. O primitivo templo medieval desapareceu em absoluto, e das sucessivas obras de ampliação que sofreu ao longo dos séculos, apenas subsistem as formas setecentistas, completamente arruinadas até à recuperação geral que a Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz encetou nos finais dos anos 80, transformando o templo religioso num espaço cultural, onde se realizam atualmente debates, colóquios e exposições. A construção setecentista, obra tardia do reinado de D. José, apresentava uma fachada axial, de frontão triangular, conservava um arco falso onde se inseria o portal de xisto e cornija saliente. De salientar ainda a existência de uma torre, erguida na parte oriental, que termina com pináculos piramidais nos acrotérios. O interior da igreja, apresentava uma nave, de planta retangular, com coro, de arco abatido, quatro altares laterais consagrados a Nossa Senhora da Graça, a São Pedro, a São Brás e a Santa Ana. A iluminação era feita através de uma ampla janela que se encontrava na fachada principal, obra da reforma que sofreu em 1761. Durante o terramoto de 1755 sofreu danos irremediáveis que chegaram até ao século XX como podemos constatar nas duas fotografias que apresentamos."


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Lenda da fundação da Igreja de Santa Maria da Lagoa em Monsaraz




























No riquíssimo acervo documental do saudoso José Pires Gonçalves, médico e distinto historiador do nosso concelho, encontramos uma curiosa lenda sobre a fundação da igreja de Nossa Senhora da Lagoa em Monsaraz. Reza assim a lenda:
“Noite fria de inverno. Ardia lenha nas lareiras e a geada caía nos campos. Junto da chaminé de uma casa humilde e enquanto o azinho crepita e a esteva perfuma a atmosfera dois velhinhos, brancos dos anos e do trabalho, preparam a ceia. Subitamente, do alto da chaminé, começam a cair, uns após outros, pedaços de carne ensanguentada que ao tocarem a lareira se vão reunindo para logo a seguir tomarem a forma de um toiro, a que não falta vida nem bravura. Apavorados, os dois velhos, julgando ter na frente o demónio em figura de toiro correm a refugiar-se no terreiro que ficava próximo implorando em altos gritos a proteção divina e prometendo edificar ali mesmo, no alto de Monsaraz, uma igreja votada a Nossa Senhora se saíssem salvos daquela aventura. Com tal fervor e humildade apelaram os dois velhos para o poder divino que logo entre eles e o boi se formou profunda e extensa lagoa, de águas alterosas como as ondas do mar, que amedrontaram o demónio e o obrigaram a afastar-se. Passado o perigo retiraram-se as águas e ali mesmo foi, pelos dois velhos, mandada edificar a Igreja de Nossa Senhora da LAGOA”.



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Pelourinho de Monsaraz





























O Pelourinho, popularmente designado também como picota, é uma coluna de pedra colocada num lugar público de uma cidade ou vila onde eram punidos e expostos os criminosos. A partir de finais do século XV foram considerados o padrão ou o símbolo da liberdade municipal. Para alguns historiadores, como foi o caso de Alexandre Herculano, o termo pelourinho só começa a aparecer no século XVII, em vez do termo picota, de origem popular. A partir dessa altura passou a ser apenas o marco concelhio. O pelourinho de Monsaraz estabelece assim o símbolo da jurisdição e da autonomia do concelho. Encontra-se erigido sob um soco de três degraus quadrados, onde se ergue a base, coluna, capitel e remate. De feitura oitocentista, ele encontra-se construído em mármore branco de Estremoz e inspirado na arte clássica, tendo reaproveitado os elementos do pelourinho original que se perdeu com o terramoto de 1755.



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Porta de Évora – Monsaraz





















Foi durante muitos séculos a principal via de acesso que conduzia os transeuntes a Monsaraz, vindos de Évora ou de Vila Viçosa, pelas antigas vias romanas. Entravam na porta de Évora, de desenho gótico, que, juntamente com as outras portas – da Alcoba, do Buraco e da Vila – constituíram, desde o século XIII, as principais entradas no burgo montesarense

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Cuba São João Baptista (Monsaraz)





" “Mergulhada num dos baluartes da fortificação seiscentista, a nascente da antiga povoação acastelada de Monsaraz, extra-muros medievais, encontra-se a ermida denominada de São João Baptista”.

“É um monumento de modestas dimensões, em aparelho de xisto regional, de planta quadrada e volume cúbico, coroado por cúpula hemisférica de ladrilho, hoje inteiramente revestida por uma demão de greda branca”

José Pires Gonçalves, A Cuba de Monsaraz, 1964

De acordo com a documentação existente, este edifício religioso albergou o culto de uma Confraria de Monsaraz, designada por São João Baptista, tendo sido provavelmente a promotora da sua construção na segunda metade de quinhentos, como também da sua decoração pictórica nos alvores de seiscentos (Vitor Serrão, As pinturas murais da capela de São João Baptista – 1622). Por sua vez, Túlio Espanca avançou com a hipótese de que esta capela teria sido erguida de novo devido à peste que se abatera por Monsaraz, à semelhança da Igreja Matriz da vila. O mesmo Espanca refere que esta capela chegou mesmo a ser uma paróquia da vila em tempos remotos (séculos XIV e XV), perdendo o seu estatuto com a construção da nova Igreja Matriz em quinhentos. Apenas José Pires Gonçalves seguiu uma linha diferente de raciocínio ao apontar a sua origem como islâmica. A ermida, muito abandonada a partir de oitocentos, sofreu várias mutilações causadas por procura de tesouros imaginários e por obras levadas a efeito pela DGEMN a partir da década de 60 do século XX. Em 1999 um amplo programa de restauração do edifício e das pinturas murais conferiu-lhe uma maior dignidade no conjunto monumental de Monsaraz e permitiu-nos conhecer um pouco melhor as suas origens quinhentistas. "


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A Casa da Roda de Monsaraz




















" Aqueles que em crianças eram abandonados na Roda ou noutros lugares públicos eram conhecidos como expostos. Antes da Roda as crianças eram geralmente abandonadas às portas das igrejas. Lentamente foi-se introduzindo o uso de abandonar as crianças nas rodas. Estas consistiam em cilindros giratórios, abertos num lado e colocados verticalmente nas portarias dos conventos, a fim de se receberem ali objetos sem haver contacto direto com o exterior. Neste engenho, tão propício ao anonimato, começaram a ser abandonadas as crianças a partir do século XVI, costume que foi generalizado até que D. Maria I o reconheceu oficialmente por circular de 24 de Março de 1783. Ao exposto era atribuído o nome do santo venerado no dia em que era recolhido. Nenhum inquérito se fazia para averiguar o nome dos pais; mas, em qualquer altura, estes podiam reclamar os filhos. Para identificação, guardava-se e registava-se tudo o que as crianças traziam. Até aos 7 anos os expostos eram entregues às amas; após esta idade regressavam à casa, onde permaneciam até aos 12, altura em que eram entregues como criados a quem lhes pagasse melhor soldada. Na imagem, a casa que em Monsaraz recolheu durante alguns séculos as crianças abandonadas na vila. "


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A “Casa da Inquisição” de Monsaraz





























" A 22 de Outubro de 1536, proclamou-se em Évora, no púlpito da Sé, perante a corte, a bula da criação da Inquisição. E assim começou, para os judeus portugueses, uma nova era de desgraças e prantos. Évora foi a zona do país onde o tribunal do Santo Ofício despertou maior pânico e exerceu mais fria e intensa atividade depuradora contra o sangue hebraico. Dos três tribunais instalados em Portugal – Lisboa, Coimbra e Évora – foi o tribunal alentejano, o de maior movimento e o que levou a cabo mais esgotante tarefa de purificação. A sua jurisdição abrangia todo o Alentejo e Algarve e incluía, portanto, o território de Monsaraz.
Provavelmente alguns dos marranos de Monsaraz passaram também pelas frias masmorras eborenses do Santo Ofício ou redimiram nas labaredas os seus monstruosos delitos de ideias e credos religiosos. Ainda hoje, intramuros de Monsaraz, para as bandas da alcáçova, ao fundo da rua de Santiago, com sua frontaria alçada na rua de Quebra-Costas, se pode observar uma casa de dois pisos com painel azulejado entre duas janelas de cantaria, que a tradição local continua a afirmar ter sido a sede do tribunal da Inquisição. Não foi, de certeza, a sede de um tribunal da Inquisição, porque Monsaraz nunca possuiu semelhante pretório e os julgamentos dos crimes dos cristãos novos montesarense eram da competência do Santo Ofício de Évora e ali decorriam solenemente. De acordo com José Pires Gonçalves, e tendo em consideração a força da tradição, “parece legítimo admitir que naquele edifício tivesse funcionado uma delegação do tribunal de Évora, onde os réus tomariam os primeiros contactos com o Santo Ofício e onde se iniciaria a fase preparatória da instrução para, depois de concluída, o processo ser então remetido para a capital do Alentejo e ali julgado”. Pese embora a validade da explicação de Pires Gonçalves, perdura ainda hoje dúvidas legítimas sobre a real finalidade da chamada “Casa da Inquisição” em Monsaraz. O tempo e a própria História encarregar-se-ão de nos dar a resposta ... "



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Construção da praça de touros no Castelo de Monsaraz 
























" Por volta de 1830 as antigas edificações da praça de armas do castelo de Monsaraz encontravam-se em adiantado estado de ruína mercê do abandono humano do edifício militar. Segundo o desenho de Duarte d’ Armas, datado do início do século XVI, a antiga praça de armas de Monsaraz tinha, no seu interior, uma cisterna, uma capela, um paiol de armas e várias acomodações para os soldados e oficiais. Segundo a fonte que consultámos, os habitantes de Monsaraz começaram a erguer a “sua” praça de touros durante a década de 30 do século XIX, aproveitando os materiais dessas antigas construções “e tirando pedras de que precisavam” de alguns troços da muralha que também se encontrava em ruina. Monsaraz perdeu então um parte significativa da sua arquitetura militar (e da sua originalidade) … os montesarenses ganharam uma praça para as suas touradas anuais. "



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Atalaia de São Gens (séc. XVII)





















" Após a restauração da independência de 1640, impunha-se o planeamento de novas defesas amuralhadas para a vila de Monsaraz, tendo em consideração o novo tipo de armas de artilharia que então se começaram a generalizar. Havia também que planear uma defesa mais efectiva do rio que atravessava a região alentejana e que nos separava de Espanha. Neste sentido, Nicolau de Langres veio a Monsaraz em 1646 e fez a inspeção aos vaus do rio Guadiana. Planeou então três torres (atalaias) no termo de Monsaraz: a primeira implantada sobre o mamelão de São Gens (na fotografia), a segunda na Herdade das Pipas, a terceira na Herdade de Ceuta. O traçado elaborado para Monsaraz incluía a construção de uma nova muralha de três frentes abaluartadas, para proteger a parte mais baixa da população, uma frente abaluartada a Este, três redentes em frente das torres da cerca e outro na face Sul, junto do castelo. A vila recebeu importantes acrescentamentos tácitos nesta época, aproveitando a situação topográfica, alcantilada e roqueira, tornando a cidadela quase inexpugnável, tendo aquartelada poderosa guarnição militar, que se desvaneceu com a paz geral de 1668. "



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Os templários em Monsaraz (Séc. XIII)



















" A Ordem do Templo esteve fortemente ligada à reconquista cristã de Monsaraz e à sua posterior reocupação e repovoamento. A história lega-nos dois importantíssimos testemunhos sobre a presença dos templários nesta vila alentejana; ambos provam a relevância que esta ordem teve no desenvolvimento militar e social de Monsaraz no último quartel do século XIII. O primeiro refere-se à escolha de um templário de Monsaraz, o cavaleiro D. João Lourenço, pelo rei D. Dinis para representar a corte portuguesa em Roma, junto do Papa, na questão que pôs termo à Ordem do Templo em Portugal. Com a extinção desta ordem militar, Monsaraz foi posteriormente erigida à comenda da recém-criada Ordem de Cristo que herdou os bens e os privilégios dos templários em Portugal.
O outro testemunho que manifesta a presença templária em Monsaraz é-nos dado pela Ermida de Santa Catarina, edificada no arrabalde, entre as muralhas da vila e o Outeiro da forca. A tradição histórica coloca-a como uma edificação templária de finais do século XIII. A sua estrutura acastelada e hexagonal, com características marcadamente defensivas, leva-nos a considerar tratar-se de um pequeno templo de filiação templária. Independentemente da sua origem templária, ou não, esta ermida acastelada serviu, sem dúvida, de apoio e defesa dos imensos peregrinos que transitavam pela antiga via romana que levava aos caminhos de Santiago. "



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Ermida de São Lázaro (Monsaraz)



























"Situada na parte oriental do arrabalde de Monsaraz, junto do caminho para a ermida acastelada de Santa Catarina e para o morro de São Gens, situa-se uma das mais curiosas ermidas do termo de Monsaraz: São Lázaro. Tendo em consideração os estudos de José Pires Gonçalves, deve ter sido edificada nos fins do século XIII ou princípios do século XIV, provavelmente na mesma época da criação da Albergaria e Hospital pobre do Espírito Santo, este dentro das muralhas da vila, onde hoje se situa a Igreja e Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Monsaraz. Este hospital, atrás de muros, e São Lázaro, fora de portas, com o seu pequeno lazareto para isolamento e sequestração dos gafos, deviam constituir as duas peças fundamentais da armadura assistencial de Monsaraz medieval. A lepra, como se sabe, foi um dos maiores e mais alucinantes aspetos mórbidos da Idade Média. Logo que se despistava um leproso a primeira medida sanitária que então se lhe aplicava era a expulsão da sociedade. São Lázaro, extramuros de Monsaraz medieval, a um tiro de funda das barbacãs, cumpria assim, tecnicamente, os preceitos sanitários medievais correntemente aplicados aos doentes atingidos pelo horrível e repugnante mal da lepra."



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Castelo de Monsaraz





















" A vila de Monsaraz, ainda hoje envolta pelas suas muralhas medievais, ergue-se sobre uma pedregosa escarpa dominadora de uma vasta região que inclui o vale de Guadiana, situação privilegiada propícia a uma presença humana muito remota, embora não haja certeza acerca de uma ocupação castreja ou mesmo romana. A única certeza é a de que a povoação já existia no período de ocupação muçulmana, devendo datar de então as suas primeiras fortificações. As fortificações de Monsaraz são constituídas pelo castelo alcáçova, por uma longa cerca urbana implantada a norte daquele, e pelo perímetro defensivo seiscentista, de tipo Vauban, que reforça pelo exterior a muralha medieval. O castelo, implantado na área da urbe mais proeminente, foi edificado com pedraria irregular, de granito e xisto regionais. A sua cerca pentagonal, coroada por merlões quadrangulares, tem as extremidades reforçadas por torres quadrangulares maciças. Ao recinto do castelo, parcialmente descaracterizado pela sua infeliz adaptação a praça de touros em meados do século XIX, acede-se por um portal gótico.
Em posição central, no lado setentrional, ergue-se a torre de menagem, de planta pentagonal. Construída na época de D. Dinis, a torre dispõe de uma sala nobre, que se alcança transpondo uma porta gótica siglada, com uma cobertura de nervuras e arcos quebrados. Sobre a torre, conhecida localmente por Torre das Feiticeiras, preservam-se vestígios de uma estrutura habitacional manuelina, com frestas cruciformes, presumivelmente edificada durante as campanhas de reforma dos castelos raianos dirigidas por Francisco Arruda na primeira metade do século XVI.
Classificado Monumento Nacional pelo Decreto 35.443 de 2 de Janeiro de 1946 e Decreto 516/71 de 22 de Novembro. Estabelecida Zona Especial de Proteção (ZEP) em DG 187 de 14 de Agosto de 1951. "



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O túmulo de Gomes Martins na Igreja de Nossa Senhora da Lagoa em Monsaraz (Séc. XIV)




















" Nos alvores do Século XIV, Monsaraz parece atravessar uma fase de prosperidade económica e social. Notabilizaram-se alguns naturais da vila, como o rico mercador Martim Silvestre, o qual, em 1317, arrematou, por 11 000 libras, a vila de Mourão, pouco depois cedida, diplomaticamente, ao rei D. Dinis. Foi o filho deste rico mercador, Gomes Martins que, por 1341, levantou em memória do seu pai, uma capela funerária na igreja de Santa Maria, onde, também ele, veio a receber sepultura, fazendo-se tumular em sarcófago alto em mármore, sobre cuja tampa se fez representar como cavaleiro e com brasão composto por três chaves dispostas em roquete (Saul António Gomes, Foral de Monsaraz). A arca tumular, assente em três leões, apenas tem duas faces esculpidas em baixo-relevo; uma das cenas representadas mostra uma movimentada cena de altanaria equestre com falcões perseguindo aves; a outra representação salienta um cortejo fúnebre composto por monges, clérigos, cavaleiros e crianças, empunhando um deles o provável escudo de armas do tumulado. Não conhecemos a data do falecimento de Gomes Martins. Na tampa do túmulo, para além da escultura do cavaleiro Gomes Martins, encontra-se uma inscrição, incompleta: AQUI JAZ GOMES MARTINS VASALO DEL REI FILHO DE MARTIM SILVESTRE O QUAL GOMES MARTINS …. "


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FORAL MANUELINO DE MONSARAZ (1512)




























" Quando D. Manuel I sobe inesperadamente ao poder, com a morte prematura de D. João II em 1495, Portugal estava em pleno arranque as grandes descobertas marítimas (Caminho Marítimo para a índia e descobrimento do Brasil), mas continuavam a chover nas cortes reclamações das populações sobre a desactualização e os abusos que os velhos forais estavam a originar. D. Manuel foi então monarca que, nas cortes de Montemor-o-Novo de 1495, prometeu realizar a tão almejada reforma, ou seja, substituir os forais velhos. Mas estabeleceu algumas normas. E uma delas implicava que nas comarcas de Entre o Tejo e Guadiana deveria seguir-se o modelo do foral de Évora (que data de 1501, o segundo atribuído por D. Manuel – o primeiro foi o de Lisboa, expedido a 7 de Agosto de 1500). Estava então em curso uma das maiores reformas que o país já tivera … e durante duas décadas, uma comissão nomeada pelo rei procedeu à recolha de toda a documentação existente no Reino – privilégios e antigos forais – reformulando-a segundo uma certa sistematização nos chamados “Forais Novos” (ou Manuelinos).
Em 2012 passaram 500 anos desde que o rei D. Manuel I outorgou, em Lisboa, um novo foral à vila de Monsaraz, para substituir o antigo foral afonsino, redigido em latim bárbaro e já à época em mau estado de conservação e de difícil leitura e interpretação pelos oficiais da Câmara. O foral de Monsaraz é um documento em pergaminho (pele de animal) e manuscrito com tinta escura, sendo encadernado com uma capa de madeira forrada a couro, ladeada pelas esferas armilares que centram o brasão das armas reais. Depois de várias décadas “desaparecido” e “depositado” em locais impróprios, o estado de conservação do códice não é o desejável, sobretudo devido à sua idade, com fólios soltos e zonas muito desgastadas, sobretudo na encadernação, que se encontra parcialmente despojada dos originais nervos. "



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Novos Paços do Concelho (Monsaraz)























" A derradeira Câmara Municipal da Vila de Monsaraz, construída ou adaptada, oferece características arquitectónicas de fins do século XVII, talvez coevas dos reinados de D. Afonso VI / D. Pedro II. A frontaria é constituída por arcada térrea de três vãos planos, ultrapassados, com fustes toscanos e sobrado de igual número de janelas, duas de peitoril e a central de sacada, lavradas em mármore branco. Tem telhado de quatro águas.
No ângulo superior do cornijamento, na face da Rua do Castelo, ergue-se o brasão de armas da vila, que é simultaneamente do reino, também de calcário e aparentemente peça quinhentista, decerto recuperada do edifício primitivo.
O imóvel, que sofreu danos provocados pelo abalo sísmico de 1 de Novembro de 1755, foi, anos depois da extinção do concelho em 1838, subdividido, e parte dele alienado, pelo que apenas se conserva na posse da Junta de Freguesia a Sala de Sessões, que compreende o corpo principal voltado para a Praça e se alcança por escadaria de ardósia. "



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O FRESCO DO BOM E MAU JUIZ



























O FRESCO DO BOM E MAU JUIZ – MUSEU DO FRESCO EM MONSARAZ

" O primitivo edifício dos Paços do Concelho e Tribunal de Monsaraz foi edificado durante o 2º quartel do século XIV, durante os reinados de D. Dinis e D. Afonso IV, como consequência histórica do desenvolvimento administrativo e económico da vila após o seu repovoamento determinado pela concessão do foral de 1276. Até à sua construção, os actos públicos da vila de Monsaraz decorriam no adro da igreja gótica de Santa Maria, mais tarde demolida devido ao perigo de contágio da peste e substituída pelo actual tempo quinhentista. São ainda visíveis alguns elementos arquitectónicos característicos do período medieval como a porta ogival, as janelas geminadas e as abóbadas de nervuras. No final século XV ou no princípio do século XVI terá sido adaptado a cadeia, de acordo com as instruções do diploma régio de D. João II que determinava a existência de cadeias públicas fora do castelo. Foi ainda nesta altura que se construiu o segundo piso, conferindo-lhe um aspecto muito idêntico ao de hoje.
O fresco do Bom e Mau Juiz foi casualmente descoberto na semana de 6 a 11 de Outubro de 1958, altura em que o edifício da Junta de Freguesia de Monsaraz sofria obras de reparação e ampliação. O feliz acaso ocorreu quando se demoliu um pano mural no topo Norte da sala de julgamentos dos Antigos Paços da Audiência, colocando a descoberto “esta extraordinária obra de arte do fresco em Portugal e única de assunto temático profano existente entre nós” (ESPANCA, 1978). Este ocultamente fortuito, se acordo com as palavras de Túlio Espanca, salvou da destruição este precioso mural alusivo à justiça Divina e Terrena.
No painel inferior, o artista pretendeu, abstraindo-se da pureza da justiça divina, mostrar o fiel retrato da justiça terrena, e numa sátira terrível mostrou a própria justiça venal dominada pela diabólica tentação do suborno. Neste painel a figura dominante é a figura do bom juiz, que de acordo com a simbólica medieval, está sendo coroado pelas figuras da justiça e da Misericórdia e está sentado numa cátedra gótica de madeira, ricamente trabalhada; a cabeça está coberta por um barrete azul e negro e segura nas mãos, bem direita, a vara vermelha da antiga magistratura municipal. O artista pretendeu, com a insígnia da vara vermelha, pintar uma figura da velha magistratura municipal, ou seja, um alvoril ou um juiz ordinário. Se o artista tivesse pretendido figurar um juiz de fora, o bom juiz de Monsaraz teria sido representado com a insígnia da nova magistratura nas mãos: uma vara branca.
Esta obra apenas tem paralelo nos frescos existentes no Palácio Comunal de Siena, no magnífico painel pintado por Ambroggio Lorenzetti sobre as “Alegorias do Bom e Mau Governo de Siena” pintado entre 1338 e 1340. "



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Misericórdia de Monsaraz




























" Durante o período moderno, vigorou em Portugal um sistema de assistência assente na ação das Misericórdias. Estas consistiam num grupo de confrarias que se regiam por regras semelhantes mas autónomas entre si, sob proteção direta do poder real, e absorveram as principais funções assistenciais no país, quer aos pobres e presos, quer aos expostos e viajantes. A fundação da Santa Casa da Misericórdia de Monsaraz parece remontar a 1520 e está ligada à ação do Duque de Bragança, D. Jaime, donatário da vila, que, congregando as elites locais e os irmãos da antiga confraria medieval do Espírito Santo, lhe concedeu o seu primeiro estatuto em 1520. No ano seguinte, aproveitando a presença do ouvidor de D. Jaime em Monsaraz, D. João Alvares, era feita uma petição a El-Rei solicitando a anexação do hospital e da albergaria do Espirito Santo à recém-criada Misericórdia:
“Considerando os homens honrados desta Vila amadores das virtudes e que trazem o intento na honra da própria pátria e querendo imitar os bons cidadãos e honrados regedores dos bons lugares do reino, nos quais havia a confraria da Santa Misericórdia no ano passado de 1520. Estando nesta Vila o Bacharel João Alvares ouvidor do Senhor Dom Jaime Duque de Bragança consultaram com ele que se pusesse em obra fundarem aqui esta Santa confraria e como quer que ele fosse do mesmo propósito. Acordaram que se fizesse suplicação a El-Rei como de feito ele a fez logo e pedirão a Sua Alteza que para a dita confraria se poder melhor sustentar houvesse por bem lhe a juntar e unir a Albergaria e hospital pobre do Espírito Santo que havia nesta Vila que tinha alguns mil réis de rendas e foros e assim a confraria da Santa Misericórdia instituída na Igreja de Santa Maria da dita Vila (…)”.
A resposta de D. João III, autorizando a união, data de 1 de Novembro de 1521 e nela podemos ler que: “Nós e El-Rei fazemos saber a vós João Godinho cavaleiro da nossa casa e provedor das obras da comarca de Beja (…) a confraria da Misericórdia da Vila de Monsaraz que o provedor e oficiais dela tenham administração e provimento do hospital de Espirito Santo da dita Vila de Monsaraz (…)” "



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Celeiro Comum de Monsaraz
























" De acordo com informações existentes no Arquivo Municipal e documentação da Casa de Bragança, terá existido um Celeiro Comum na vila de Monsaraz desde 1632, embora José Pires Gonçalves avance com a data da sua fundação em 1685. Consultando a documentação existente nessa atura, especialmente o documento Dívidas do deposito de Monçaraz em 1632, e relendo os textos escritos por Manuel Inácio Pestana, pode-se afirmar com alguma certeza que o Celeiro de Monsaraz já funcionava em 1632 e que possuía, como todos os outros celeiros, os seus oficiais regulares, ou seja, um depositário, um tesoureiro e naturalmente um escrivão, que repartiam entre si as tarefas de distribuição e cobrança dos empréstimos de trigo e a indispensável escrituração nos livros de registo. A sua instituição, no século XVII, foi solicitada pela Câmara Municipal e pelo povo da vila, lembrando as necessidades que o população padecia, especialmente pela falta de um depósito de trigo como existia noutras localidades próximas como Redondo, Elvas, Terena, Mourão, Portel, Montoito e Vila Viçosa. Em 1653, a sua situação financeira já era extremamente delicada, o que se arrastou pelos anos seguintes. Por resolução régia de 30 de Junho de 1685, depois de consultada a Junta da Casa de Bragança, o rei cede novo Regimento ao Celeiro Comum de Monsaraz, que devia respeitar o Regimento dado ao de Évora em 1576. Funcionaria até finais do século XIX, perdendo gradualmente a sua importância a partir de meados do século XVIII.
Também Reguengos de Monsaraz teve o seu celeiro. Recuando até ao século XVIII, encontramos uma petição assinada por Manuel Mendes Papança de 31 de Outubro de 1755 apresentando ao Rei os motivos para a criação de um celeiro na Aldeia dos Reguengos, estando disposto a colocar no depósito cerca de 200 moios de trigo. A Junta da Casa de Bragança concordou com a petição e, a partir de 1756, a Aldeia dos Reguengos passou a ter um celeiro que perdurou até princípios do século XX como atesta o documento que possuímos no Arquivo Municipal – Registo de anúncios e editais do Celeiro Municipal (1918-1919). Mas a criação deste celeiro em Reguengos significou que o Celeiro Comum de Monsaraz perdera a sua importância e relevância económica. "










(nota: imagens e informação obtida através do sitio oficial da CMReguengos de Monsaraz)
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