terça-feira, 1 de janeiro de 2013

FINAL DO DIA...

FINAL DO DIA...





nas palavras de:




Manuel A. Belo da Silva
A expressão do Divino revelada em Monsaraz !



José Calixto
O NOSSO MUNDO!...



Jesuino Vieira
O SOL DO MEU ALENTEJO
O pôr-do sol é tão lindo.
No meu querido Alentejo
Parece que está sorrindo.
Provoca um certo desejo.
É como se fosse um véu
Mesmo no alto do monte
Quando vejo o azul do céu
A perder-se no horizonte.
O sol produz luz e calor
Faz transbordar energia
E com grande esplendor
Dá força paz e alegria.
No meio dalgumas abertas
E deslizando em caracol
Há partículas encobertas
Que são mostradas pelo sol. 



José Luís Outono
Olhar o momento
Perpetuar um sentir
E deixar correr
O calendário...feliz!



Baila Sem Peso
Alentejo
Entre o fogo e as trevas
Tão longe, tu em luz me levas...
Baixando o sol no horizonte
Escondes-te por trás do monte
Alentejo vibrante de paixão
Com teu calor em comunhão
Girando na veia do poeta
Com alma completa
Em forma de pintura
Ou de quente partitura...
Entre o fogo e as trevas
Tão longe, tu em luz me levas!



Maria Antonieta Matos
Esconde-se o sol, desce ao leito
Mais um dia a terminar
Sorrindo, por tudo ter feito
Pinta de cores o céu e o nublar
Encantando por um momento
Quem da terra o contemplar

---//---


Ao escurecer, no horizonte
Que deslumbrante aguarela
No céu do meu Alentejo
O sol pede um desejo
Para ter a noite mais bela

Pisca o olho sorridente
Para nos dar de presente
Em cada dia uma tela

Pouco a pouco adormece
O manto matiz do céu, aquece
Sonha com a lua, fantasia com ela.


Manuel Manços Assunção Pedro
E quando o sol, cansado, entristecia,
disfarçando se alguém aparecia,
eu guardava os meus segredos mais profundos.

Mas ninguém sabe, nem conta… ninguém via….
que aquele sol cansado e belo, que partia
me levava com ele p’ra outros mundos!



Paula Cristina Costa 
Há um sol quase a abandonar-se
pelo declive da paisagem abaixo
de uma vila alentejana talvez além dos montes
quase a adormecer antes do arrefecer das pedras
antes que o escuro da noite vindime as suas uvas de dor

Há um sol quase a derreter-se
com todas as cores da incerteza de uma nova manhã
como um cigarro quase a apagar-se na cinza do poente
como trigo quase ruivo a ceifar-se na dobra do dia
na dor de ser quase a noite mais gélida do mundo

Há um sol quase a entornar-se
a ver crescer a sombra sob os telhados quentes
a cal fria das casas, o xisto de novas horas esperadas
como um amor quase a esvanecer-se no joio da vida
à mão de respigar de desejos retidos e partidos
na dor de estar ainda vivo rente ao chão

Há um sol quase a perder-se
como um Homem quase a morrer no corpo da vida
sangue quase frio a entornar-se pelas fissuras do tempo
vinho derramado na dor de querer ser sem fim

Há um sol quase a morrer
como se Deus fechasse implacável as eclusas
como se o Homem renunciasse ao grito de ser corvo rebelde
ao vôo livre para se evadir de todas as tiranias do mundo

Mas há um sol quase a nascer
uma possibilidade de acender um novo cigarro
continuar, amigo, aquela conversa interrompida
deter uma guerra, salvar um Homem, combater o medo
ganhar tempo para poder olhar de novo a luz que se acende
como se ninguém tivesse morrido no sol a morte por nós.





Maria Pereira Gonçalves
SENSAÇÕES
Do calor dos lençóis macios e alvos
Escapam-se os sonhos e o sono
Para sucederem as sensações nocturnas e múltiplas...
Lá fora, bramem as ondas quebradas
Redobrando os inteiros pensamentos
Que não bramem e se acomodam mudos cá dentro...
E nessa antítese perfeita dos sentidos
São quebradas todas as regras convencionais
Na métrica e na forma de sentir
Com sensações dissímeis, mas reais…





Foto: António Caeiro
Local: Monsaraz
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